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domingo, 2 de octubre de 2011

Cashrut ( by www.torah-channel.com)




" CASHRUT "
D-us realmente se importa com o que eu como?
Cashrut esta voltando. Atraves dos Estados Unidos e onde quer que vivam os judeus, as pessoas estao descobrindo ou fortalecendo seu compromisso com as normas alimentares de trinta e tres seculos do povo judeu.
Se perguntassemos a um judeu comum, que viveu cerca de cem anos atras, se ele observava a Cashrut, a provavel resposta seria: "Naturalmente! Eu sou judeu!" Para as nossas bisavos, manter-se Casher era um ato tao natural quanto ao ato de comer. Poucas pessoas se afastavam dessa pratica, mesmo que houvesse deslizes em sua observancia sobre outros aspectos.
Na transicao da Europa para as Americas e depois das revolucoes sociais destes seculos, a situacao inverteu-se quase se completamente. Muitos de nos fomos criados pensando que os judeus que ainda observavam Cashrut eram exodicamente anacromicos, algo assim como as "amish" com seus cavalos e charretes. Assumimos que Cashrut era uma precaucao de saude obsoleta, validas nos tempos anteriores a refrigeracao, mas atualmente sem significado. Nosso grande mestre e profeta Moshe Rabenu era, entao, presumivelmente uma especie de administrador primitivo da fiscalizacao de saude e alimentacao, e as proibicoes de misturar leite e carne ou de consumir carne de porco e ostras, de acordo com este novo decreto de comer Casher, tinha a ver com bacterias, triquinose, medidas sanitarias e coisas do genero. O fato de que alguns dos maiores cerebros da historia-Rashi, Maimonides, Nachmanides, Rabi Yitschac Luria (o Arizal) e os sabios do Talmud-disseram claramente outra coisa, nao nos impressionou absolutamente. (A maioria de nos nao tinha sequer ouvido falar deles).
Se alguem nos tivesse dito que Cashrut e um mandamento da Tora, outorgado ao povo judeu por D-us no Monte Sinai, com a intencao de ajudar a formar uma nacao, cuja missao era e ainda e trazer Divindade ao mundo, teriamos ficado um tanto incredulos, e ate mesmo indignados.
"O que voce quer dizer com trazer Divinidade ao mundo?" - poderiamos ter retrucado. "Porque deveria D-us se preocupar com o que como? O que tem a comida a ver com isso?"
Tais perguntas ainda foram a espinha dorsal das objecoes modernas a Cashrut, e possibilitaram a ideia absurda de que a origem das leis alimentares e higienicas.
As perguntas podem ser validas, mas elas nao sao judaicas. No mundo europeu de nossos ancestrais, a questao de D-us se preocupar ou nao com o que comemos nao foi levantada - nao porque eles eram menos inteligentes ou sofisticados do que nos, nem porque eles nao tinham refrigeradores, mas porque seu mundo era totalmente judaico. Era permeado de valores judaicos e ideias judaicas sobre a natureza do homem, D-us e o Universo.
Uma mudanca no meio ambiente acarretou uma transformacao total no pensamento. Estamos imersos em uma cultura que assume uma perspectiva a qual e, as vezes diametralmente oposta a do judaismo. O pensamento nao-judaico permeou de tal forma a civilizacao ocidental que chegamos a pensar em seus valores como neutros ou mesmo universais. Mas eles nao o sao.
O Rabino Zalman Posner, um erudito e autor contemporaneo, decorre sobre a nacessidade de "falar ingles, mas pensar judaicamente". A maior parte de nossas ideias sobre D-us e religiao, ressalta ele, origina-se de fontes nao-judaicas. Armados com uma educacao judaica de nivel, quando muito, elementar (e muitas vezes absolutamente nenhuma), passamos anos absorvendo conhecimento nos saguoes da escola superior. Mesmo o conhecimento de judaismo e filtrado atravez das tendencias culturais da Filosofia, Literatura e Historia Ocidentais.
E dificil, portanto, para a mente contemporanea compreender exatamente por que o judaismo faz tamanho alarde com assuntos como comer e beber, necessidades basicas que sao compartilhadas nao apenas por toda a humanidade, como tambem pelos animais.
A prece, a meditacao, a caridade e um estilo de vida ascetico, sao reconhecidos por todos como sendo "assuntos religiosos". De acordo com o enfoque predominante, a alma e espiritual e sagrada, enquanto o corpo material e desprezivel (o reverso da medalha e o hedonismo, onde o proprio corpo e cultuado). De uma forma ou de outra -porque deveria D-us preocupar-se com o que como?
A Tora nos diz: "Conhece-lo em todos os teus caminhos." A lingua hebraica nem mesmo tem uma palavra para "religiao" o enfoque judaico e que, nao apenas no Shabat e nas Festas, e nao apenas na oracao, mas em todos os momentos temos o poder de santificar a existencia cotidiana. O lar judaico e chamado de "santuario em miniatura"; a mesa e considerada um altar.
Cada um dos mandamentos, muitos dos quais envolvem objetos fisicos (alimentacao Casher, velas de Shabat, Tefilin, Mezuza), serve como canal de conexao entre um judeu e D-us. Cada Mitsva cumprida fortalece este elo. A existencia fisica, demonstrada pelo corpo, nao e desprezada nem glorificada por seu proprio merito, mas elevada e refinada a servico da alma. O proprio mundo fisico e um veiculo para trazer santidade ao mundo.
Cashrut oferece uma oportunidade para sermos realmente humanos, pois apenas o homem pode exercer a opcao e a autodiciplina ao satisfazer os desejos fisicos.
Nutricao espiritual
Podemos entao encarar o "ser judeu" como uma experiencia sagrada, da qual observar a Cashrut e uma parte integral.
Nossos grandes Rabis e Sabios nos dizem que Cashrut e ainda mais do que isto. Indiscutivelmente e a Mitsva de maior alcance, pois afeta o corpo inteiro, a mente, o coracao, e a psique da pessoa.
As leis concernentes aos animais Casher e nao-Casher sao apresentadas no terceiro livro da Tora. Nenhuma razao e dada para explicar, por exemplo, por que um animal que rumina e tem os cascos fendidos e Casher, enquanto um animal que apresenta apenas um destes sinais nao o e. Nao ha nenhuma logica aparente para fazer uma destincao entre um tipo de animal, ave ou peixe, e outro.
O grande comentarista Rashi escreveu no seculo XI, citando fontes talmudicas de muitos seculos antes, que a proibicao de carnes, tais como a de porco e uma dessas Mitzvot que devem ser aceitas exclusivamente pela fe, pois nao tem, em alguma hipotese, qualquer base logica humanamente compreensivel (que dizer das teorias sobre refrigeracao!). Outras Mitzvot, embora admissiveis para o intelecto humano, tambem sao observadas por serem preceitos da Tora.
Ao aceitar a Tora no Monte Sinai, o povo judeu disse duas palavras que ecoam a nossa consciencia e em nosso enfoque do cumprimento dos mandamentos "Naasse Venishma" - "Faremos e ouviremos". isto significa que aceitamos as mitzvot como outorgadas de D'us, e que, apos termo-nos comprometido em cumpri-las procuraremos entao, compreende-las. A tradicao judaica as vezes nos oferece esclarecimentos, nao para nos fornecer uma razao para cumprirmos as mitsvot, mas para satisfazer nosso desejo de entender, ate onde for possivel dentro das limitacao do intelecto humano.
A coisa mais proxima que temos na Tora como explicacao das leis sobre animais Casher e a afirmacao que segue imediatamente a enumeracao daquelas leis: "Pois Eu sou o Senhor vosso D'us; santificai-vos, por tanto, e sede santos, pois santo sou Eu" (Vayicra XI: 44). O povo judeu foi escolhido no Monte Sinai para tornar-se "um reino de sacerdotes e uma nacao sagrada". A razao da alimentacao Casher e que ela foi projetada para fazer refinamento e purificacao para o povo judeu.
Os alimentos que comemos sao absorvidos pelo corpo, penetrando nossa carne e nosso sangue, e afetando diretamente todos os aspectos do nosso ser. As aves de rapinas e os animais carnivoros tem o poder de influenciar aqueles que os come com atributos agressivos, e estao entre os alimentos proibidos pela Tora. Para um judeu, o alimento nao-Casher embota a mente e o coracao, reduzindo a capacidade de absorver conceitos da Tora e mitsvot, inclusive mesmos aquelas mitsvot que podem ser entendidas pela inteligencia humana. Os alimentos proibidos sao citados na Tora como uma abominacao para a alma divina, elementos que sao subtraidos de nossa sensibilidade espiritual. A pessoa se torna menos sensivel aos sentimentos de Divindade e menos capaz de entender conceitos Divinos. Ao contrario, quando a pessoa come alimentos Casher, a sua receptividade a Divindade se intensifica.
O corpo e o unico meio atraves do qual a alma se expressa. "Assim como o artesao nao pode fazer seu trabalho sem as ferramentas adequadas" - escreveu o cabalista do seculo XIII, Rabi Menachem Recanati - "tambem a alma nao pode cumprir sua tarefa sem um corpo que coopere; e assim como faz uma grande diferenca para qualquer trabalho de qualidade se um artesao possui ou nao ferramentas de precisao, e muito importante para a alma humana se o corpo e feito de material fino ou grosseiro. Mesmo a luz brilha mais forte atraves de uma boa luminaria, e as mesmas arvores produzem os frutos diferentes de acordo com o solo em que foram plantadas".
Algumas pessoas estao tao harmonizadas com os efeitos espirituais de Cashrut que os alimentos nao-Casher, literalmente nao existem para elas. Rabi Nachum de Tchernobyl, um famoso Rebe chassidico de uma geracao interior, certa vez, nao conseguiu enxergar um copo de leite que estava diante dele, pois, como se descobriu depois, aquele leite foi entrege por um fazendeiro nao-judeu, e seu produto nao tinha sido devidamente supervisionado.
Há muitos exemplos para ilustrar o efeito da alimentaçáo Casher sobre a sensibilidade espiritual do povo judeu. Certa vez aconteceu que uma comunidade judaica do Egito escreveu a Maimonides, o famoso filósofo judeu do seculo XIII, conhecido como o Rambam. A visão moderna daquela época, da filosofia aristotélica, fez com que muitos judeus ficassem "perplexos" com sua própna fé.
Os judeus egípcios voltaram-se ao Rambam para uma explicaçao filosófica de um dos princípios fundamentais do judaismo. O próprio Rambam havia formulado aqueles princípios - certamente o grande filósofo sena capaz de fornecer uma explicaçao adequada. Entretanto, o Rambam recusou-se a responder a carta. Ele explicou a um discípulo que um esclarecimento filosófico nao seria necessário caso as pessoas daquela comunidade nao tivessem co ntami n ado su as mentes, comendo alimentos nao-Casher. Sua incapacidade de aceitar aquele conceito em particular, citado na carta, nao tinha sentido, u ma vez que tin ham como certa a Torá. Eles nao puderam admitir aquele conceito específico, explicou MaimGnides, porque ocorreu um declínio geral em sua sensibilidade espintual.
Os esforços de muitos rabinos contemporâneos para convencer u m judeu especifico a nao contrair casamento misto ou a náo se convertera uma outra religiao, cae m ce rtas vezes em ouvidos moucos. Nenhum argumento A suficientemente bom, nao importando o quao Iógico e belo seja, e nenhum apelo A bastante comovente, simplesmente porque a pessoa entorpeceu suas "antenas judaicas" comendo Taref (náo-Casher).
Centelhas Divinas
Os critérios chassídicos, baseados nos ensinamentos místicos do Rabi Yitschac Luria, explicam por que a influência da alimentaçao Casher a tao poderosa. Assumimos como certo o fato de que precisamos comer para viver. Porem, se a alma dá vida ao corpo, entao por que precisamos de nutriçao externa? Por que precisamos comer? Os filósofos gregos fizeram a mesma pergunta, mas não encontraram uma resposta satisfatória. A questão se complica ainda mais quando consideramos que somos mais dependentes de materia inanimada - ar e água - do que de plantas, e ainda mais de plantas do que de animais. A hierarquia da Criaçao parece invertida; normalmente, deveríamos esperar que, quanto mais força vital aparente em alguma coisa, mais vida aquilo seria capaz de conceder. "Nem s6 de pao vive o homem, mas da palavra de D-us" (DevarimVIII:3) - e uma insigne afirmaçao da Torá. A explicaçao óbvia deste vesículo a que o homem exige uma dimensao espiritual em sua vida, e nao deveria viver apenas para comer, beber e saciar os desejos físicos. mas isto tambem pode ser Iterpretado de maneira bastante literal: nao e o próprio alimento que dá vida, mas a centelha da Divindade - a "palavra de D-us" - que está nos alimentos. O sistema digestivo extrai os nutrientes, enquanto a Neshamá, a alma, extrai a centelha Divina que se encontra na natureza. Estas "centelhas" provêm de uma fonte de Divindade mais elevada ainda que a Neshamá do homem. A energia Divina em cada molecula de alimento é o que realmente nos dávida. O alimento Casher possui uma poderosa energia que confere força espiritual, intelectual e emocional à Neshamá judaica. As "centelhas" contidas nos alimentos nao-Casher por outro lado, estao enraizadas numa fonte espiritual profana. E por isso que os alimentos nao-Casher têm um efeito tao insidioso. Na época dos eventos que antecederam Purim, o povo judeu, na Pérsia, causou a ocorrência de um decreto celestial contra eles, pois haviam comido alímentos nao- Casher no banquete do rei. Houve outras Mitsvot que eles neglígenciaram, mas Cashrut era a chave. Mordechai, que juntamente com a rainha Ester, trouxe-lhes a redençao, permaneceu firmemente Casher, e foi o único que mereceu ser chamado Yehudi- judeu. "E assim como a redençao foi realizada naqueles dias, o cuidado
meticuloso com a Cashrut trará a redençao em nossos tempos" (vide Rashi, Devarim XXXIII:19).
Uma palavra as mulheres judias
A cozinha assume uma nova dimensao quando pensamos na tremenda responsabilidade que implica supnr refeiçoes Casher para a familia. O bem-estar espintual das crianças, do mundo, dos hóspedes e, por extensão, de todo o povo judeu, está nas maos da mulher judia. Muito embora uma investigaçao completa e uma supervisao continua sejam necessánas para que um produto comercial seja declarado Casher, nenhum Mashguiach (supervisor de Cashrur) supervisiona as despensas ou vigia as tigelas e panelas utilizadas na cozinha de uma mulher judia. A responsabilidade ~ adequada, consistente com o papel central desempenhado pela mulher na sobrevivencia do povo judeu durante quatro mil anos. O judaísmo tradicional reconhece isso, mas onde idéias alieníge nas se infiltraram, onde o conhecimento judaico se esvaneceu, vemos um crescimento dos aspectos publicos e cerimoniais do judaísmo, às custas d s Mitsvot do lar e da mulher. A mulher judia literalmente desaparece. Três Mítsvot especialmente confiadas as mulheres judias afetam o alicerce e a existência do povo judeu. Elas sao: a) o acendimento das velas de Shabat, simbolizando a observância do Shabat; b) a separaçao de uma porçao de massa, chamada Chal~. simbolizando a Cashrut; e c) a imersao numa Micve, representando as leis da pureza conjugal . Enquanto o estudo da Torá e a observancia de outras Mitsvot sao princípios importantes na vida de uma muIher judia, estas três Mitsvot demonstram o conceito totalmente judaico de que cada aspecto da vida esta adequadamente enquadrado na esfera da Divindade. Atraves destas Mitsvot, ajudamos a pavimentar o caminho para o termino do exílio judaico entre as naçoes, pois como explica o Lubavitcher Rebe Shlita, a preparaçao para o Mashiach e a punficaçao do mundo material em si. Nossos sábios disseram que "pelo merito das mulheres justas, fomos redimidos do Egito." Da mesma forma, o Lubavitcher Rebe afirma que a redençao deste exilio sera, em grande parte, atraves dos esforcos das mulheres judias de hoje. Acaso D-us se importa com o que como? A conexáo de Cashrut à essência da alrna judaica, em cada individuo e no povo em sua totalidade, fornecerá a resposta. D-us, de fato, importa-se com o que como!

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